Sindicato dos Trabalhadores Metalúrgicos
de João Monlevade

Filiado à CNM/CUT

 
 

 

 
22/08/2008 - 10:16
PAUTA ECONÔMICA: ENTENDA E DISCUTA
 

É hora de aprofundarmos nossa discussão para a campanha salarial deste ano. Por isso, é importante que todos tenham clareza quanto ao significado dos temas econômicos que, normalmente, integram a pauta de reivindicações e, também, os fundamentos que dão base às nossas demandas. Vejamos:

g Reposição salarial:

É a simples reposição do índice de inflação oficial dos últimos 12 meses, para recompor o poder de compra do salário. Por exemplo: se determinado salário era de R$ 1.500,00 há um ano, e a inflação no período foi de 5%, esse é o percentual que precisaria ser aplicado ao salário para que tenha atualmente o mesmo poder de compra que tinha na época.

g Aumento real:

É o aumento acima da inflação e tem por base a produtividade. A produtividade é apurada pela análise da relação tonelada / homem / ano. Por exemplo: quantas toneladas 1200 homens produziam em 1 ano há 12 meses e quantas produzem hoje? Essa diferença é o indicador de produtividade.

g Participação nos Lucros e resultados:

É discutida com base em um indicador chamado "Ebtida". Em bom português, esse Ebtida indica o lucro líquido da empresa, "sobra de caixa".

g Bônus

É avaliado considerando o cumprimento de metas. No caso da ArcelorMittal, as metas são diferenciadas por unidade (quer dizer, a meta para a Usina de Monlevade pode ser diferente da estabelecida para Timóteo, por exemplo) e muitos fatores podem ser levados em conta, como redução do custo de produção, redução do número de acidentes, exames periódicos, queda em desperdício de alimentos em bandejões, etc.

O modelo ArcelorMittal e nossas demandas

O grupo ArcelorMittal tem por princípio que, na hora de repartir o bolo do "Ebtida", 30% são destinados aos acionistas e menos de 2%, a título de PLR, aos trabalhadores. O lucro líquido do ArcelorMittal Monlevade, nos 7 primeiros meses deste ano, foi de cerca de R$ 680 milhões. Se fosse destinado aos trabalhadores o mesmo percentual dos acionistas, teríamos, hoje, direito a uma PLR de R$ 87.000,00. Já considerando apenas 2%, seriam R$ 13.400,00.

No modelo ArcelorMittal, as unidades do grupo precisam espremer em um total equivalente a, no máximo, 12% do lucro líquido a soma de valores destinados a pagamento de salários, encargos, PLR e bônus.

Nossa produtividade

As discussões da pauta estão apenas começando. Mas é bom não perder de vista um dado importante: a produtividade dos trabalhadores na Usina de Monlevade,que, até o fim do ano, deve chegar a 7%. Nos últimos 7 meses, o índice chegou a 4,5% e poderia ter sido mais se não fosse a quebra do alto-forno.

Como dissemos acima, é a produtividade que orienta o índice de aumento real dos salários. Mas, de modo geral, ela é o indicador da eficiência e do comprometimento dos trabalhadores e, portanto, um elemento que faz diferença na mesa de negociações.

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