No primeiro semestre deste ano, o Ministério do Trabalho deflagrou, em São Paulo, uma guerra contra a terceirização e a conseqüente precarização do trabalho. Com a ação, oito empresas foram autuadas, e 1,2 milhão de trabalhadores receberam registro em carteira.
Paralelamente à fiscalização governamental, vem crescendo entre grandes empresas a tendência em converter trabalhadores terceirizados em empregados com carteira assinada. Um exemplo é a Getronics, da área de Tecnologia da Informação, que se comprometeu a admitir 120 profissionais que trabalham como pessoa jurídica e a não voltar a utilizar esse modelo de contratação.
O diretor técnico do Dieese, Clemente Ganz Lucio, esclarece que são três os principais motivos para empresas estarem evitando a terceirização, que virou verdadeira moda a partir dos anos 90: 1) aumento da fiscalização por órgãos de governo; 2) perda de eficiência econômica pelas empresas; 3) perspectiva de crescimento sustentado da economia.
Algumas empresas perceberam que, se, por um lado, houve redução de custo, por outro não houve ganho de produtividade para as contratantes. A terceirização é, enfim, um barato que sai caro.
Em Monlevade, algumas empresas terceirizadas, além de insistirem em oferecer condições insatisfatórias de trabalho, tentam burlar a legislação, se classificando em razão social que não condiz com sua área de atuação. Essa artimanha é para obrigar seus trabalhadores a buscarem representação em entidade sindical que não é efetivamente de sua categoria e, assim, enfraquecer seu poder de reivindicação e pressão.
O Sindicato tem movido ações judiciais na busca de corrigir essas distorções e é importante o apoio dos trabalhadores. Já existem decisões no caso da Escalar e da Suprema. A primeira foi condenada a respeitar nossa Convenção Coletiva, retroagindo pagamentos aos funcionários.
Estamos com ações também contra a Sartori, TC Montagem e Montplam. Convidamos os companheiros a participarem das negociações, freqüentando nossas assembléias.