20/10/2008 - 11:41
ArcelorMittal chora, mas especialistas afirmam que crise mundial faz muito bem para as siderúrgicas
 

Como já havíamos previsto, na reunião do dia 9 para discutir o Acordo Coletivo deste ano, a ArcelorMittal tirou da manga o tema da crise financeira internacional para dizer que não tem como atender certas demandas do trabalhador. O que ela esconde é que o próprio Lakshimi Mittal, presidente-executivo da empresa, disse esperar melhora na lucrativade. O indiano nada mais faz do que confirmar a opinião de especialistas do setor.

Conforme matéria do Instituto Brasileiro de Sideruriga, o aquecimento da economia brasileira vinha obrigando as siderúrgicas a utilizarem quase a totalidade da capacidade instalada. Com a crise, essas empresas ganham fôlego. Analistas garantem que os investimentos da siderurgia não devem ser afetados, porque são feitos a longo prazo, diferentemente do que acontece com os mercados financeiros.

É preciso repetir o que já dissemos no Zé Marreta anterior: que a discussão de aumento real e da PLR se baseia em resultados que já aconteceram. É a produtividade que já alcançamos e a lucratividade que a empresa já abocanhou. Portanto, crise de agora ou do futuro deve estar fora da mesa de negociações.

Apesar da choradeira, a ArcelorMittal Monlevade já acertou com o sindicato 15 cláusulas de cunho social. Entre elas, está o fornecimento do PPP (Perfil Profissiográfico Previdenciário) - documento imprescindível para aposentadoria especial, antecipação do 13º salário, demonstrativo de pagamento e desjejum. Entre essas cláusulas, está, ainda, o pagamento da multa de 40% sobre o FGTS também para aposentados.

EMPRESA NEGA AUMENTO REAL E FALA EM METAS PARA PLR

Ontem, dia 17, voltamos a nos sentar à mesa de negociação. Mas negociação foi o que a ArcelorMittal não quis. A empresa se negou a atender qualquer reivindicação de aumento real e propôs apenas um reajuste de 7,04%, apenas para repor a inflação. Apesar disso, apelidou esse reposição de "aumento salarial".

Quanto à Participação nos Lucros e Resultados, jogou sobre a mesa um documento que prevê um valor de PLR variando entre o máximo de R$ 4.975,00 e o mínimo de R$. 4.500,00. Os valores seriam pagos em novembro, mas descontando R$1.400,00 antecipados em maio deste ano. Só que, no plano da empresa, o pagamento da PLR - inclusive do valor mínimo - estaria condicionado ao cumprimento de metas, que considerariam três itens: produção (com peso de 60% no cálculo.), absenteísmo (20%) e meio ambiente (outros 20%). Detalhe: caso metas não sejam atingidas, o trabalhador pode até não receber nada.

Parece piada, já que estamos discutindo resultados que já foram obtidos e, portanto, metas que ninguém conhecia não podem ser usadas como argumento agora. O que já obtivemos todo mundo conhece: a melhor produtividade do grupo no Brasil.

Outra reunião está agendada para o dia 23. É hora de os trabalhadores mostrarem que estão unidos para exigir respeito e reconhecimento pelo seu trabalho. Mobilização já!

Sobremetal e Sime engrossam o choro

Não foi apenas a Arcelor que se ancorou na crise financeira para colocar obstáculo às discussões das cláusulas econômicas para o Acordo Coletivo deste ano. A Sobremetal, na reunião do dia 15, que se restringiu a esclarecimentos de pauta, também afirmou que as negociações devem ser feitas em termos menos generosos do que "esperavam".

De qualquer forma, pudemos avançar em um tema que vem se arrastando há anos: a remuneração da 7ª e da 8ª horas diárias dos trabalhadores de turno de revezamento. A empresa assumiu o compromisso de realizar estudo sobre distorções que, a nosso ver, ocorrem em seu modelo de remuneração e prejudicam o trabalhador.

O assunto volta a ser discutido na próximo reunião. Já o Sime, que representa as empresas do Grupo 19, pediu prazo de 30 dias para retomar as negociações, também por causa da tal crise. Acontece que há cláusulas sociais que, normalmente, atrasam as discussões econômicas e poderiam muito bem avançar agora mesmo.

 

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