A diretoria da ArcelorMittal Monlevade insiste na conversa de aumento real nenhum, porque, segundo ela, é necessário se precaver contra impactos da crise. Foi esse mesmo discurso que dominou a reunião na última quinta-feira, dia 23. Mas o cenário das negociações do grupo no Estado mostra que mobilização dos trabalhadores faz a diferença, bem mais do que os artifícios em torno da crise dos mercados.
Em Belo Horizonte e Contagem, foi fechado acordo com 3,25% de aumento real, além do reposição salarial de 7,04.%. Na unidade de Cariacica (ES), o percentual de aumento real acertado foi de 2,5%, mais a reposição do INPC., enquanto, na CST, os metalúrgicos fecharam acordo com INPC mais 2% de aumento real. Negociações prosseguem em outras unidades, sempre tendo que enfrentar a conversa de crise.
Não custa repetir que estamos discutindo resultados já obtidos, produtividade que já gerou lucros para a empresa e, assim sendo, efeitos da crise atual só podem ir para a mesa de negociação em 2009. Essa é a consciência de trabalhadores em todo o país. Os companheiros têm também a consciência de que existe, sim, margem para sustentar as demandas de cada categoria, inclusive utilizando o instrumento da greve, se necessário.
Levantamento feito pelo Diesse (Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Socioeconômicos). mostra que o número de paralisações e greves este ano está maior do que no ano passado, quando foram registradas 316 greves, num total de 28,519 horas paradas. O diretor-técnico do órgão, Clemente Ganz Lúcio, destacou, em entrevista à imprensa este mês, que, no período de 2004 e 2007, o número de greves manteve-se sempre em torno de 300 por ano. "O cenário econômico ainda é favorável e os sindicatos aproveitam para pedir reajustes compatíveis com os ganhos que as indústrias obtiveram ao longo do ano", garante Lucio.
Empresas faturaram bem nos últimos cinco anos, e os trabalhadores reivindicam seu quinhão. É o que diz o sociólogo e professor da Unicamp Ricardo Antunes, destacando o crescimento econômico. Ele lembra que "nunca um governo remunerou tão bem os capitais e isso vale tanto para bancos, capital produtivo, setor de serviços, comércio, todos. E os sindicatos também têm consciência disso".
Fica o recado.
Dia 29, voltaremos à mesa de negociação com a ArcelorMittal.