A reunião do Sindicato com a diretoria da ArcelorMittal Monlevade na última terça-feira, 28, foi marcada novamente pelo choro em torno da crise. E a dificuldade de avançar nas negociações. Apresentamos uma proposta de aumento salarial de 12,5%, onde estão embutidos a reposição da inflação e ganho real de R$ 5,10%. A empresa oferece um total de 9,72%.
Quanto à Participação nos Lucros e Resultados, a Arcelor insiste em uma PLR entre R$ 5.325,00 (valor máximo) e R$ 4830,00, de acordo com o nível de cumprimento de metas. E, caso não sejam atingidos pelo menos 80% das metas previstas, os trabalhadores podem ficar sem PLR nenhuma.
Entendemos que considerar metas é aceitável, desde que sejam racionais e não recaiam apenas nas costas do trabalhador. Nossa proposta mantém, para controle de metas, os três indicadores propostos pela empresa, mas com pesos diferentes. Da seguinte forma: toneladas de fio máquina produzidas - peso de 50% (em vez de 60%); sistema de qualidade, meio ambiente, saúde e segurança no trabalho - 25% (em vez de 20%); absenteísmo - 25% (em vez de 20%).
E acrescentamos mais um indicador, o número de horas extras, já que muitos companheiros têm sido submetidos a jornadas excessivas, o que compromete até sua saúde. Por isso, reivindicamos que o valor final da PLR seja acrescido de adicionais caso as horas extras exigidas dos trabalhadores superem os seguintes limites: - até 1400 horas extras por mês – acréscimo de 5%; acima de 1.400 até 2.800 horas extras por mês – acréscimo de 10%; acima de 2.800 horas extras - acréscimo de 50%.
A questão do valor
Quando começamos a apurar um valor de PLR justo, ainda antes de começarmos as negociações, consideramos o lucro operacional líquido da empresa até julho, em torno de 670 milhões de dólares e foi com base nesse dado que chegamos à proposta de R$ 11.166,00. Posteriormente, levando em conta a projeção do lucro até o final do ano, o valor de PLR proposto chegou a R$ 14.426,00.
O cálculo é feito da seguinte forma: apuramos 2% do lucro operacional líquido e dividimos pelo número de trabalhadores da usina. A empresa alegou que consideramos 1.200 funcionários na unidade de Monlevade, quando o quadro real seria de 1.400 e, portanto, nosso valor estaria superestimado. Para evitar travamento da pauta e o argumento da radicalização, optamos por refazer o cálculo em cima dos dados apurados até julho e assumindo o quadro de pessoal de 1.400 operários. Assim, chegamos a uma PLR de R$ 9.578,00 (valor mínimo) e que, com os eventuais acréscimos pelo não cumprimento dos limites de horas extras (conforme já explicado) poderia chegar até R$ 13.682,00. Esses números, porém, não foram apresentados na mesa de discussão, uma vez que a empresa não deu espaço para a proposta.
Acertos e pendências
Na mesma reunião, foram acertadas apenas cinco cláusulas sociais. Lembre-se: nossa mobilização, sem medo, é que pode mudar o discurso da empresa, que recorre à questão da crise financeira para endurecer o jogo.