Sindicato dos Trabalhadores Metalúrgicos
de João Monlevade

Filiado à CNM/CUT

 
 

 

 
13/11/2008 - 08:53
Trabalhador da ArcelorMittal Trefilaria morre esmagado e empresa não avisa ao sindicato
 

O dia: 04 de novembro. A hora: 1 da madrugada, aproximadamente. O fato: na ArcelorMittal Trefilaria, em Contagem, um rolo de duas toneladas e mais um suporte da ponte rolante caíram sobre o companheiro Ricarte Campos de Souza, que morreu esmagado.

O acidente, por si só, é gravíssimo, mas há outro lado grave da questão: a empresa não o comunicou ao Sindicato dos Metalúrgicos de BH/Contagem. Um diretor sindical e uma engenheira de segurança do trabalho ficaram horas na portaria à espera de autorização para ter acesso ao local da tragédia.

Refresquemos a memória da ArcelorMittal. Ainda este ano, a empresa assinou com a Fitim (Federação Internacional dos Metalúrgicos) acordo de saúde, segurança e meio ambiente. Pelo documento assinado, devem ser formados comitês locais, com indicação e participação plena dos sindicatos, para discussão e acompanhamento desses temas. Na última terça-feira, em Belo Horizonte, representantes dos trabalhadores da ArcelorMittal de todo o mundo voltaram a abordar o assunto.

Os comitês de saúde, segurança e meio ambiente, no entanto, ainda não apareceram. A empresa tenta mascarar a situação, usando o fato de que a existência da CIPA (Comissão Interna de Prevenção de Acidentes) e instrumentos do gênero supostamente já exercem o mesmo trabalho, o que não corresponde à realidade. O argumento da ArcelorMittal é mais um artifício para deixar os sindicatos fora das discussões desses temas. Aliás, sua estratégia tem sido, cada vez mais, tentar reduzir a atuação sindical. Basta ver o aconteceu na CST, onde não há diretores sindicais presentes no interior da empresa. Na Vega do Sul, é adotada uma política de terceirização desenfreada e não é permitida a organização sindical.

A alta cúpula do grupo ArcelorMittal precisa mandar um recado lá da Europa aqui para o Brasil, para que o acordo com a Fitim ganhe sentido também em nosso país e torne mais civilizadas e dignas as relações de trabalho.

NOVOS PADRÕES, JÁ!

Em Monlevade, a semana também foi marcada por acidente grave. O armador Hélio Machado de Miranda, 28 anos, trabalhador de uma terceirizada, levou um choque de 7,9 mil volts no último dia 6, quando descarregava ferragens em um pátio da ArcelorMittal, no bairro Pedreira. O guindaste do caminhão esbarrou na fiação elétrica da Cemig, os pneus começaram a pegar fogo e o armador, ao esbarrar no veículo, teve queimaduras nas pernas.

É necessário que o cuidado com a segurança seja pleno não só na ArcelorMittal, mas também nas terceirizadas. Todos os trabalhadores são iguais e não é possível que uns sejam menos iguais dos que os outros.

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