Negros e brancos ainda são tratados de forma desigual no sistema de saúde. Essa é a conclusão de estudo feito pela organização não-governamental (ONG) Criola, com base em dados do próprio Ministério da Saúde. Segundo o levantamento, crianças pretas e pardas com menos de 1 ano de idade têm 44% de chances a mais de morrerem de doenças infecciosas e parasitárias do que as brancas. Mães negras e pardas também têm risco de morte materna 41% maior.
Thiago Ansel, integrante da ONG, lembrou que, em 2006, o então ministro da saúde, Agenor Soares, afirmou que a discriminação no país se concretiza em problemas como diagnósticos incompletos e exames que não são realizados em pretos e pardos.
"É importante mencionar que o racismo é estruturante na sociedade em que vivemos. O próprio olhar das pessoas é perpassado por essa marca. No Brasil, é de costume que o racismo seja tratado como um conjunto de fatos isolados que ocorrem de forma esporádica, sendo consensualmente considerados execráveis. Racismo não é só episódico, não é somente a ofensa ou o olhar torto. O atendimento no sistema de saúde pública brasileiro é um exemplo emblemático, pois mostra uma das piores faces da descriminação racial: a morte de negros e negras", destaca Ansel.
A Secretaria Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (Seppir), em texto em seu site, classifica como chocantes os contrastes entre os indicadores de saúde de negros e brancos e observa que, apesar de ter uma "legislação avançada", o SUS não é capaz de garantir a toda a população brasileira a mesma qualidade na atenção à saúde. (Com informações da CUT).