Na semana passada, foi aprovado pela Comissão de Assuntos Sociais (CAS) do Senado projeto de lei do senador Paulo Paim (PT-RS) que prevê a correção das aposentadorias e pensões pelo mesmo índice do salário mínimo. Agora, o projeto precisa ser votado pelo plenário da Câmara dos Deputados.
Mas ministros já começaram a se mexer para impedir esse avanço em direção à dignidade dos trabalhadores aposentados. Na segunda-feira, 17, Paulo Bernardo, titular do Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão, defendeu o veto, alegando que o projeto é "corrosivo" e significaria uma impacto de R$ 76,6 bilhões aos cofres da Previdência.
Na terça-feira, 18, o ministro da Previdência, José Pimentel, foi ao Congresso para tentar convencer os parlamentares a não aprovarem o projeto de Paim, com o mesmo argumento. Ele alega que os benefícios das aposentadorias tiveram reajuste acima de inflação nos últimos anos. Mas notem a diferença: enquanto o "ganho" desses benefícios foi de 0,89% no período de 2003 a 2005, o salário mínimo variou 37,05% no mesmo período.
Os trabalhadores aposentados têm assistido à corrosão do seu poder de compra. E exigem dignidade.
É em nome da dignidade que o Sindicato dos Metalúrgicos, a Associação dos Aposentados e outras entidades sociais estão se mobilizando para sensibilizar os deputados para votarem a favor dos trabalhadores. É também chegada a hora de os trabalhadores da ativa se mobilizarem para exigir o fim do fator previdenciário, que é um crime contra as aposentadorias. Essa bandeira está também nas mãos da CUT, como uma das pautas da V Marcha da Classe Trabalhadora, que a central realiza em Brasília no dia 3 de dezembro.