A proposta salarial aprovada pela categoria, em assembléia, na última sexta-feira, 14, de reajuste de 10,5% (7,04% de INPC + 3,23% de aumento real) e PLR de R$ 5.887,00, não contemplou plenamente nossas demandas, mas é uma vitória na medida em que a mobilização dos trabalhadores obrigou a empresa a reabrir negociações. Até poucos dias antes, a ArcelorMittal Monlevade insistia que não avançaria além dos 9,72% que havia proposto e da PLR de R$ 5.325,00, com base em metas.
No caso das metas, conseguimos avanços significativos. Um deles foi substituir o indicador "absenteísmo", prejudicial ao trabalhador, por cumprimento de exames periódicos. Outro foi referente ao percentual mínimo para garantir direito à PLR. Pela proposta original da empresa, unidades que não cumprissem 80% das metas ficariam sem direito à Participação nos Lucros e Resultados. Alteramos esse percentual para 20%.
As negociações foram difíceis, porque a ArcelorMittal utilizou-se sempre do argumento da crise financeira mundial para jogar para baixo os patamares do Acordo Coletivo. É claro que notícias sobre ações de blindagem de empresas, como férias coletivas e até algumas demissões, criaram na opinião pública a idéia de que a crise já atingia o setor produtivo, e a empresa se serviu desse cenário para dar suporte a suas argumentações e criar ambiente para dificultar as reivindicações da categoria.
Insistimos sempre que nossa discussão se pautou em resultados que já tinham sido alcançados, em lu-cratividade já apurada, e, portanto, efeitos da atual turbulência nos mercados não deveriam ter lugar na mesa de negociações. Essa mesma postura foi assumida por outros sindicatos. Entretanto, é preciso considerar que nosso Acordo Coletivo, apesar de longe do ideal, foi mais satisfatório do que os que foram firmados em outras unidades da ArcelorMittal.