"Senhor Luiz Inácio Lula da Silva – DD. Presidente da República – 19/12/2008
Vimos à presença de Vossa Excelência para repudiarmos a proposta escandalosa e desumana do desatinado utilitarista e presidente da Vale, Agnelli, dirigente da empresa doada por FHC ao capital privado por R$ 3,3 bilhões. No ano passado, faturou R$ 133 bilhões, teve um lucro líquido de R$ 20,006 bilhões, gastou com salários e encargos sociais R$ 1,344 bilhão, portanto o custo total da força de trabalho foi de R$ 1,01% de seu faturamento. A empresa Vale divulgou que apenas nos três primeiros semestres deste ano já apresentava um lucro líquido superior a R$ 20 bilhões. Esses empresários são terroristas, irresponsáveis, escravocratas e, assim sendo, muito desumanos. O custo da força de trabalho na Açominas (Grupo Gerdau), no ano passado, foi de 1,48% de seu faturamento bruto, no entanto, já fez um acordo com o sindicato para reduzir salários; essa é a escabrosa responsabilidade social dos empresários brasileiros. Só enxergam cifrão pela frente. Não respeitam direitos humanos de seus empregados. O Grupo ArcelorMittal, Usiminas e outras empresas do mesmo porte apresentam um custo de mã-de-obra equivalente ou inferior. A força de trabalho é o menor "insumo" consumido na produção industrial. Usam, abusam dos operários, adoecem-nos e descartam-nos como se rejeitos industriais fossem. Não podemos tolerar o abuso que intentam consolidar neste momento contra assalariados que recebem miséria mensalmente. Se diminuírem 50% do custo da força de trabalho, estarão barateando a produção em apenas 0,7% do custo final de seus produtos. Estão, na verdade, aproveitando a ocasião para esbulhar mais ainda seus miseráveis assalariados. Empresa que apresenta lucro, mesmo que não seja significativo, não tem moral para falar em redução do quadro de pessoal em razão da crise. Quem apresenta qualquer lucro assuma sua responsabilidade social – não poderá demitir nem reduzir salários. São exatamente os que mais lucram os que estão tomando a iniciativa de reduzir a força de salários. Não podemos tolerar tais abusos". (João Paulo Pires de Vasconcelos, secretário da CUT/Regional Vale do Aço)