08/01/2009 - 14:22
ArcelorMittal quer que trabalhadores paguem por crise que eles não causaram
 

Empresa propôs suspender por 24 meses contratos de trabalho dos empregados nas unidades da Grande BH

A crise internacional tem servido de pretexto para que algumas empresas tentem precarizar o trabalho no país. Um exemplo é a proposta indecente que a ArcelorMittal apresentou aos sindicatos dos metalúrgicos de BH, Contagem, Vespasiano e Sabará: suspender por 24 meses o contrato de trabalho dos companheiros, sob a alegação de que é para evitar demissões. A empresa já demitiu cerca de 200 trabalhadores da Trefilaria e ameaça demitir outros 200 se não houver acordo.

No período de suspensão do contrato, os trabalhadores receberiam apenas uma bolsa do Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT), de pouco mais que a metade do salário, assistência médica e alimentação.

A Belgo Bekaert Arames, do grupo ArcelorMittal, em Sabará, já fechou acordo com o sindicato e iniciou, no último dia 1º, suspensão do contrato de trabalho por seis meses de 28% do seu quadro de pessoal, o equivalente a 51 trabalhadores.

A iniciativa da ArcelorMittal segue na esteira de outras grandes empresas, como a Companhia Siderúrgica Nacional (CSN) e Vale, que querem que o trabalhador pague o pato pela irresponsabilidade dos chefões do capitalismo internacional.

O presidente da Vale, Roger Agnelli, por sinal tem sido o principal defensor da "flexibilização das leis trabalhistas" para, segundo ele, enfrentar a crise. O presidente Lula já afirmou que não admite essas mudanças, aliás bastante oportunistas. Também o ministro da Previdência, José Pimentel, manifestou opinião equivalente, ao dizer que não vê razões para o alarmismo de certos empresários, já que medidas vêm sendo tomadas para blindagem e incentivo ao aquecimento da economia no país. O governo investiu pesado para alavancar o setor automotivo e o de construção civil, grandes clientes das siderúrgicas que, por extensão, são também beneficiadas.

Engraçado que, nos momentos de vacas gordas, essas empresas não se preocupam em chamar sindicatos para negociar, positivamente, benefícios. Só querem se sentar à mesa em momentos de menos fartura, para cortar na carne de quem produz sua riqueza.

 

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