Como todos sabem, a princípio o prazo de adesão ao Programa de Incentivo ao Desligamento Voluntário (PIDV) da ArcelorMittal Monlevade era até o dia 23, e o Sindicato solicitou a prorrogação até o dia 30. O objetivo foi dar mais tempo aos trabalhadores em condição de se aposentar e, assim, evitar demissões compulsórias, danosas à comunidade. Além disso, a entidade realizou um encontro com aposentáveis, no último dia 27, para dar orientações sobre o programa e aposentadoria.
Segundo informações da ArcelorMittal à imprensa na última segunda-feira, dia 2, chegou a 178 o número de trabalhadores que aderiram ao programa. Na sexta-feira, em reunião com a diretoria do Sindicato, o número que havia sido informado era de 159. Nessa mesma reunião, a empresa informou que o número atendeu à meta pretendida, embora, aos jornais, tenha negado essa informação.
Foram desligados, segundo a ArcelorMittal, pessoal da Usina que estava atuando no Escritório Central (em Belo Horizonte), novatos que haviam sido admitidos em razão do plano de expansão, aposentáveis e aposentados.
A ArcelorMittal informou também que alguns funcionários serão transferidos para a unidade de Piracicaba (SP), mas não especificou quantos.
Peso quase nenhum
Não podemos deixar de fazer uma reflexão sobre o PIDV. É preciso levar em conta que o custo da mão-de-obra na ArcelorMittal não ultrapassa 1% de seu faturamento e, em relação ao lucro líquido, não chega a 5%. Em duas palavras: quase nada para o império da ArcelorMittal.
Havia, realmente, necessidade de programa de desligamento? Com crise ou sem crise, a dinheirama da empresa não sofre nenhum terremoto com o custo da mão-de-obra, um mero "dinheirinho". Na realidade, empresas têm usado esses programas para forçar aposentadorias e, por extensão, pressionar pelas reformas previdência e tributária que, no fim das contas, representam é corte de benefícios para os trabalhadores.