Nas reuniões setoriais realizadas esta semana, os trabalhadores decidiram que não podem fazer o jogo da ArcelorMittal, que quer misturar questões financeiras na produção, com a clara intenção de jogar para baixo - ou até água abaixo - a Participação nos Lucros e Resultado (PLR). Decidiram, também, que é preciso mais racionalidade nos indicadores que a empresa quer usar.
Um dos principais problemas da nova metodologia proposta pela ArcelorMittal para apurar o valor da PLR são as quatro letrinhas: OFCF (Operacional Free Cash Flow), "determinado conforme orçamento anual". Esse é um "índice financeiro que indica os montantes que a empresa gerou de valor, fruto de suas operações", conforme explicação da própria ArcelorMittal. Somente se atingidos 85% do OFCF, o trabalhador teria direito à PLR integral, mesmo se produzir além da conta.
Indicadores precisam ter fundamento
Ontem, dia 14, em reunião com representantes da ArcelorMittal, o Sindicato apresentou uma contraproposta de metodologia para apuração da PLR. Um ponto fundamental foi a exigência de que a empresa apresente a variação do volume de produção nos últimos três anos. Isso é importante para verificar se os números propostos pela empresa têm pé na realidade.
Não faz sentido propor um percentual com base em uma conjuntura que não tem mais a ver com a realidade.
Somente houve acordo em torno de dois indicadores propostos pela ArcelorMittal: cumprimento de exame periódico e manutenção das Certificações ISO. Há indicadores que são, simplesmente, impensáveis. Um exemplo é absenteísmo, que acaba por jogar um companheiro contra o outro em nome da meta a ser cumprida. Além disso, o índice de 1,5% ao ano proposto pela empresa é irreal, já que, nos quatro primeiros meses de 2009, o percentual já chegou além de 1,6% somente considerando doenças.
Outro indicador sem fundamento é de acidente fatal. Essa meta nos deixa nas mãos do Dr. Destino e, ainda por cima, discrimina os terceirizados porque só leva em conta o quadro de funcionários da ArcelorMittal.
Valorizar só quem ganha mais não é justo
A metologia de cálculo da proposta da ArcelorMittal prevê que a PLR tenha uma parte fixa e outra variável. Essa última corresponderia a um percentual do salário do trabalhador. Uma proposta dessas privilegia quem ganha mais, embora todos os trabalhadores sejam importantes no processo de produção.
Como sabem todos que participaram das reuniões, queremos que a parte variável corresponda a um percentual (crescente, conforme o cumprimento de metas) dos valores fixos de PLR a serem distribuídos. Assim, há tratamento igualitário.