20/05/2009 - 16:58
Empresa finge que negocia PLR
 

ArcelorMittal tenta fazer PLR depender das forças do destino e apenas oferece mais R$ 150,00

Representantes do Sindicato se reuniram ontem, 19, com diretores da ArcelorMittal, para nova rodada de discussões sobre a PLR (Participação nos Lucros e Resultados). A empresa bateu na tecla da amarração da PLR ao OFCF. Quer dizer: o trabalhador vai depender do dinheiro que sobrar no fim do exercício contábil, isto é, depois que os figurões da siderúrgica gastaram a vontade, colocarem dólares aqui e ali, distribuir dividendos para os acionistas, apostarem no sobe e desce do mercado. Mas não faltou na reunião uma peça de teatro: oferecem um acréscimo de R$ 150,00 no adiantamento que estão propondo para maio, passando o valor de R$ 1.050 para R$ 1.200.

Ora, tentar ludibriar a categoria apenas com valores não leva a lugar algum . O X da questão para os trabalhadores é a metodologia utilizada para apuração da PLR. Vale repetir: não podemos ficar dependendo de operações financeiras sobre as quais não temos controle. Até porque a empresa fechou seu capital no país, suas ações só circulam em bolsas do exterior e as grandes decisões administrativas também são tomadas lá, do outro lado do oceano.

Só para dar um idéia do que pode significar colocar a PLR dependendo do dinheiro que sofrar no fim do exercício contábil, é bom prestar atenção em alguns números. Em 2008, houve um fluxo de caixa de R$ 4.942.868.000,00 (quatro bilhões, novecentos e quarenta e dois milhões milhões e oitocentos e sessenta e oito mil). Sobre esse valor, houve uma série de descontos, incluindo destinação de ganhos para acionistas (R$ 4.297.624.000,00) e, no final, o caixa ficou negativo em R$ R$ 507.002.000,00 (quinhentos e sete milhões e dois mil). Pela lógica da metodologia que querem empurrar goela abaixo, é desse buraco que dependeria a PLR. Em outras palavras: o trabalhador não teria dinheiro nenhum a receber.

Nossa luta tem que ser para que os indicadores para apuração da PLR sejam voltados para a produtividade, a segurança, a qualidade do trabalho. Jogadas de acionistas e diretores irresponsáveis, ao bel-prazer do mercado, não servem, não senhor.

voltar