| O Sindicato dos Metalúrgicos de João Monlevade, em parceria com a Confederação Nacional dos Metalúrgicos (CNM), realizou na última quarta-feira, dia 20, em Belo Horizonte, reunião com outros sindicatos que representam trabalhadores da ArcelorMittal no Brasil. O objetivo foi discutir e unificar a estratégia contra a nova metodologia proposta pela empresa para pagamento da PLR (Pagamentos de Lucros e Resultados), considerada nociva pelas entidades sindicais. O encontro contou com a participação da economista Maria de Fátima Lage Guerra, supervisora técnica do Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos) em Minas Gerais. No ano passado, a PLR foi paga com base em metas de produtividade, saúde e segurança. Em 2009, a empresa propôs acrescentar outro indicador, o OFCF (Operational Free Cash Flow), que, somente se for atingido em percentual igual ou superior a 85%, possibilitaria o pagamento total do benefício. O OFCF, ou fluxo de caixa operacional, é o “índice financeiro que indica os montantes que a empresa gerou de valor, fruto de suas operações”, de acordo com documento apresentado pela siderúrgica aos sindicatos. Esse indicador, determinado conforme orçamento anual, é “calculado considerando variações de estoques, contas a receber e a pagar, venda e compra de ativos, financiamentos e venda/compra de ações da empresa”, segundo a empresa. “Esses itens estão fora do controle do trabalhador, não têm nada a ver com produtividade”, critica o presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de Monlevade, José Quirino dos Santos. Segundo Quirino, a supervisora do Dieese destacou que, com a nova metodologia, a PLR tende a se extinguir nos próximos anos. Isso porque o pagamento do benefício não é prioridade no orçamento anual da empresa, que é elaborado no exterior. Alguns sindicalistas presentes à reunião disseram que diretores da ArcelorMittal no Brasil argumentam que não existe PLR em países europeus. Quanto a esse comentário, Quirino foi incisivo: “querem comparar o trabalhador brasileiro, que é pessimamente remunerado, com o trabalhador da Europa”. O presidente do Sindicato dos Metalúrgicos diz, ainda, que extinguir ou reduzir a PLR desestimula o trabalhador, além de ter impacto negativo na economia das cidades onde a empresa atua. Na reunião de ontem, além de representantes do sindicato de Monlevade e de BH/Contagem, que sediou o encontro, estiveram presentes diretores dos sindicatos de Piracicaba (São Paulo), Juiz de Fora, Vespasiano, Timóteo, e Cariacica/Vitória (ES), dentre outros. |