22/05/2009 - 11:58
Sindicato sedia edição de Miss Afro e Mister Afro
 

Acontece hoje, dia 22, no Centro de Formação e Eventos do Trabalhador, na sede do Sindicato dos Metalúrgicos, a 9ª edição do concurso Miss Afro Monlevade e 2ª edição do Mister Afro Monlevade.

O evento, promovido pelo colunista social Anselmo de Oliveira, tem apoio de nossa entidade e da Fundação Casa de Cultura, entre outros.

Na abertura do evento, o Sindicato e a Casa de Cultura prestam homenagem a Marina Eugênia de Souza, a "Dona Preta, presidente da Associação das Profissionais Domésticas e Lavadeiras de João Monlevade. Ela será agraciada com o diploma "Beleza de História". Além disso, em celebração ao "Dia Internacional de Histórias de Vida", comemorado em16 de maio, será exibido um vídeo com o registro de momentos de sua trajetória combativa.

Quem é Dona Preta

Marina Eugênia de Souza, a “Dona Preta”, 68 anos, tem uma trajetória de luta e superação que começou há muito tempo. Nascida na área rural de Alvinópolis, perdeu a mãe, vítima de febre amarela, quando tinha 1 ano de idade e, sete anos depois, ficou órfã também de pai. Aos 9, ela começou a trabalhar como empregada doméstica, atividade que manteve ao longo da vida.

 

Dona Preta mudou-se para João Monlevade em 1960 e seu espírito atuante e combativo construiu uma história na comunidade, pelo trabalho nas Comunidades Eclesiais de Base, na Pastoral da Mulher e na Pastoral Operária.

 

Em 1980, participou do histórico “Encontro de Monlevade”, que daria origem à Anampos (Articulação Nacional dos Movimentos Populares e Sindicais), berço da Central Única dos Trabalhadores (CUT) e do Partido dos Trabalhadores (PT).

 

 Ela foi a fundadora, em 1982, da Associação das Lavadeiras de João Monlevade, que, em 87, se transformaria na Associação das Profissionais Domésticas e Lavadeiras. Com essa entidade, esteve à frente da mobilização por melhores condições de vida e trabalho e contribuiu para que direitos fundamentais da categoria fossem garantidos na Constituição Federal de 1988.

 

Integrou a primeira diretoria da Fundação Casa do Trabalhador e, através dessa entidade, ajudou a fundar o Sindicato de Asseio e Conservação, o da Construção Civil e o dos Comerciários.

 

Como integrante do chamado “Grupo de Mulheres”, nos anos 80, Dona Preta tem sua história associada também ao apoio às lutas dos metalúrgicos de Monlevade.

 

Em 1988, tornou-se a primeira vereadora negra e doméstica do Brasil, eleita pelo Partido dos Trabalhadores (PT). Em seu mandato, se empenhou pela criação do Conselho da Mulher e da Lavanderia Comunitária.

 

Em 1992, ela foi uma das 40 personagens retratadas no livro “Mulheres Negras Mudando Minas”, organizado pela fotógrafa Eliane Torino, de Belo Horizonte.

 

Dona Preta deixa o cargo de presidente da Associação das Profissionais Domésticas e Lavadeiras de João Monlevade em junho, quando haverá eleição da nova diretoria da entidade.

 

 

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