A ArcelorMittal divulgou este mês uma parceria da empresa com a Ford, para que trabalhadores possam adquirir carros com descontos. Trabalhadores? Vírgula. Só alguns. O convênio só se aplica a a funcionários com cargo de assistente técnico para cima. O argumento da empresa para o tratamento discriminatório, focando naqueles com maior poder aquisitivo, é que ela procurou evitar endividamento. A ArcelorMittal acha que quem ganha pouco pode se afundar no atoleiro se entrar num esquema de compra de carro dessa natureza.
O raciocínio da empresa é estranho. Esse raciocínio não foi levado em conta quando, por exemplo, os trabalhadores foram obrigados a receber seus pagamentos pelo Santander, que, com seus "benefícios", deixou muita gente com dívidas e dívidas cobrindo o corpo todo. Um tremendo pesadelo.
Essa postura de tratar os trabalhadores de forma diferenciada é, por sinal, a mesma que ela está mantendo na nova proposta de cálculo da PLR, que prevê pagamento de valores baseados em percentuais de salário, o que faz com que quem ganha mais ganhe mais ainda e quem ganha pouco continue ganhando pouco. E, se ganha pouco, a possibilidade de cair no atoleiro é mesmo maior; ou não é?