05/06/2009 - 08:35
Empresa mantém política do desrespeito e diz que quem manda é Londres
 

A política de desrespeito que a ArcelorMittal vem mantendo durante as negociações da PLR continuou firme ontem, durante reunião em Belo Horizonte. O compromisso estava marcado para as 15 horas, mas os diretores da empresa só apareceram às 16h35. Depois de um princípio de conversa, saíram da sala por mais uma hora, para só depois retomar o fio da meada.

E a retomaram batendo pé em torno do OFCF (fluxo de caixa livre - chega de inglês ou de língua do F!), que pode fazer a PLR evaporar. A empresa insiste em condicionar o pagamento a essas quatro letrinhas, que, como já dissemos, estão fora do controle do trabalhador. Segundo os chefões, Londres é quem manda, embora a produtividade esteja aqui, no Brasil e, principalmente, em João Monlevade.

O que os chefões aceitaram da proposta construída pelos trabalhadores e pelo Sindicato foi reduzir o tempo de validade do acordo, de dois para um ano.

Outra coisa é que toparam tirar acidente fatal do plano de metas. No lugar, colocaram o indicador "taxa de frequencia do quadro próprio", que é calculado pela relação entre número de acidentes (de qualquer tipo) pelas horas/homens trabalhadas. Há dois problemas quanto a esse indicador: 1) a meta proposta é de 0,79%, mas o dito cujo já está em 1,27%; 2) questões como a enrolação em torno da PLR, por exemplo, têm impacto emocional negativo e podem, sim, comprometer o número de horas trabalhadas e até aumentar o número de acidentes.

A empresa quer, também, manter o pagamento de percentuais do salário-base, de acordo com o grau de atingimento de metas. Mudaram apenas os valores dos percentuais. Essa política trata os trabalhadores de forma desigual, privilegiando quem ganha mais.

Quatro letrinhas em inglês podem reduzir valor de antecipação

Na reunião de ontem, a ArcelorMittal propôs pagar um adiantamento de R$ 1.300,00 dois dias após a assinatura do acordo e outra de R$ 1.500,00 seis meses após a primeira antecipação. Mas tudo isso depende de metas, claro. Inclusive, do resultado do fluxo de caixa livre (OFCF).

Veja o parágrafo primeiro da cláusula 6.2 da proposta da empresa:  "Os pagamentos dos valores dos adiantamentos da PLR de 2009, descritos nos itens 6.1, somente serão efetuados pela EMPRESA caso as metas do OFCF e locais sejam atingidas nos três primeiros meses do exercício de 2009, condição para o pagamento da primeira antecipação e nos 9 primeiros meses do exercício de 2009, condição para pagamento da segunda antecipação".

Além disso, como todos já sabem, se o percentual de atingimento do fluxo ficar em menos de 20% - percentual que, por não estar sob nosso controle, nada podemos fazer para atingir - , a PLR deixa de ser devida. Importante relembrar também que, entre 20% e 84,99 % do alcance da meta do fluxo de caixa, os valores de PLR não são pagos integralmente e sim apenas em percentuais iguais ao do nível de atingimento. Se, por exemplo, o resultado do fluxo de caixa for de 20%, os R$ 1.500,00 viram R$ 300,00.

Vamos conferir um pouco do cálculo, conforme tabela da empresa, considerando as seguintes hipóteses: um salário-base de R$ 1.600,00, atingimento de metas de 86% e resultado do fluxo de caixa em 25%:

1) Para a fase de atingimento de metas de 85% a 91,9%, o valor fixo de PLR previsto é de R$ 2.450,00; 2) Nesta faixa, a proposta prevê um adicional de 10% do salário base; 3) Com fluxo de caixa abaixo de 85%, a PLR é paga em percentual igual ao do fluxo de caixa.

O cálculo da PLR total (ainda sem descontar antecipações) seria: valor fixo de 2.450,00 + R$ 160,00 (que são os 10% do salário de 1.600), o que resulta em = R$ 2.610,00. Esse valor seria multiplicado por 25%, percentual de OFCF e o valor final da PLR seria R$ 652,50. Você não leu errado: R$ 652,50.

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