A ArcelorMittal decidiu mudar a metologia de cálculo da PLR a partir deste ano com o claro objetivo de fazer o benefício evaporar progressivamente. Um dos primeiros pontos dessa estratégia foi determinar que o acordo valeria por um período de dois anos. Assim, se caíssemos no atoleiro, teríamos que esperar 24 meses para haver nova possibilidade de negociação. E mesmo com a validade por um ano, novo impasse iria surgir, pelo seguinte: a última parcela de 2009 seria paga em maio do ano seguinte, mas em janeiro do ano de pagamento já teríamos que começar a discutir a PLR de 2010, mesmo antes de novo acordo, porque a apuração de metas já começaria no início do ano.
Outro ponto foi bater na tecla do fluxo de caixa, que depende do orçamento anual elaborado pela empresa e pode sofrer o impacto negativo da política que o senhor Lashmi Mittal impôs ao grupo. Compra de empresas mundo afora, para engordar seu império, e especulações na bolsa começaram a desenhar um cenário de endividamento. Não faz sentido construir seu império destruindo os ganhos dos trabalhadores.
Se, mesmo alegando perdas com crise, há dinheiro para os bolsos dos acionistas, o mesmo comportamento deve ser válido para quem produz.
A estratégia envolveu, também, dividir os trabalhadores, através de tratamento discriminatório. Ao estabelecer, na tabela de cálculo de PLR, pagamentos de percentuais de salário, a proposta da ArcelorMittal – como já dissemos antes, mas vale repetir – privilegia os que ganham mais. Além disso, mesmo sem acordo com os sindicatos, a empresa pagou o benefício a supervisores, que, obviamente, também são trabalhadores. O lema é: DIVIDIR.
A diretoria da siderúrgica tem se recusado a aceitar a participação de nossos companheiros da CNM e da CUT nas negociações e tem negado, também, a discussão conjunta com os sindicatos, alegando que cada unidade deve ter autonomia. O que chama de "autonomia" significa isolamento para enfraquecer.
Não são os sindicatos que estão provocando impasse. O impasse foi pensado e desenhado lá: em Londres.