24/06/2009 - 11:05
O Sindicato e a PLR
 

O Sindicato dos Trabalhadores Metalúrgicos de João Monlevade, desde o início da discussão da PLR proposta pela ArcelorMittal, pautou-se pelo questionamento de dois pontos básicos: a utilização do OFCF (Operational Free Cash Flow), ou fluxo de caixa livre, como condicionante do benefício, e a composição da PLR por uma parte fixa e outra variável, sendo esta equivalente a percentuais dos salários-base.

 

A entidade entendeu que, mais do discutir valores, era necessária a revisão da metodologia de cálculo.

 

O principal problema do fluxo de caixa é o fato de ser um indicador de natureza financeira, sujeito ao orçamento anual corporativo, sem relação com a produtividade do trabalhador que, por isso mesmo, não tem como interferir no seu resultado. Além disso, como o orçamento anual é definido para toda a corporação, pela direção européia, pode não considerar as diferenças de desempenho das unidades locais.

 

Outra questão a considerar é que, como esclareceu o Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos), o fluxo de caixa não traduz, necessariamente, o grau de solidez da empresa.

 

Há, ainda, o agravante de que, na metodologia da ArcelorMittal, se o fluxo de caixa não atingir pelo menos 20% do patamar planejado, não há pagamento da PLR.

 

Ao lado do OFCF, a metodologia carrega outra característica que, no entender do Sindicato, trata-se de uma anomalia, por beneficiar os trabalhadores que têm remuneração mais alta e, dessa forma, dividir a categoria. Na medida em que a PLR, em sua parte variável, é calculada com base em percentuais de salários, funcionários com salários mais baixos são prejudicados. Amplia-se a pirâmide salarial na empresa e, por extensão, amplia-se a injustiça.

 

Em assembleia realizada no dia 27 de maio, os trabalhadores recusaram a metodologia da ArcelorMittal e construíram, em conjunto com o Sindicato, uma contraposta, que mantinha o fluxo de caixa, mas sem a característica de condicionante de pagamento da PLR. O OFCF passou a ser um indicador, dentre outros, a determinar, apenas, o percentual de PLR a ser pago.

 

A contraproposta eliminou, também, o pagamento de percentuais de salário como parte variável do benefício. Essa parte variável passou a ser calculada sobre valores da própria PLR, de acordo com o grau de atingimento de metas.

(Detalhes desse cálculo pode ser conferido no portal do Sindicato, no link http://www.metalurgicosmonlevade.com.br/341.htm).

 

O Sindicato propôs à empresa promover a discussão conjunta com os diversos sindicatos da base e também verticalizar a discussão através da inclusão da FEM (Federação Estadual dos Metalúrgicos), da CNM (Confederação Nacional dos Metalúrgicos) e da CUT (Central Única dos Trabalhadores) como interlocutores, mas essa proposta foi recusada.

 

A entidade entende que o impasse tem sido provocado pela intransigência da ArcelorMittal nas negociações, e a aprovação incondicional da metologia de PLR 2009 pode significar perdas futuras, inclusive a extinção do benefício.

 

 

Sindicato dos Trabalhadores Metalúrgicos de João Monlevade, 23 de junho de 2009

 

 

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