10/07/2009 - 14:47
Política de precarização na ArcelorMittal é alimentada por individualismo ‘moderno’
 

Em pesquisa publicada pela revista Você S/A-Exame, em setembro do ano passado, a ArcelorMittal aparece em 7º lugar entre as 150 melhores empresas para trabalhar. Mas basta olhar para os lados para ver que a realidade é bem outra e que é necessário bastante consciência ao responder aos questionários que embasam esse tipo de levantamento. Afinal, uma palavra que traduz muito bem o cenário da empresa nos últimos anos é precarização.

Tem mudado o perfil dos funcionários, com aumento da escolaridade. É bom, claro. Mas nota-se que muitos funcionários com formação superior desligam-se da empresa para construir sua carreira em outra atividade. Muitos nem se engajam em demandas coletivas, preocupados que estão com a trajetória individual. Ainda que esse problema seja um sinal dos tempos, é bom um exercício de memória para que fique claro que, em períodos de luta coletiva, muitos foram os ganhos. Tabela francesa, retorno de férias, abono para aposentados, salários com forte poder de compra, tudo isso é resultado de compromisso com os companheiros e combatividade.

À medida que o individualismo foi ganhando espaço, a ArcelorMittal conseguiu impor uma escala de revezamento nociva aos trabalhadores, obrigou funcionários a comprarem ações da empresa, que, na época, estavam avaliadas em R$ 60,00 e, hoje, estão em R$ 13,00, vendeu a folha de pagamento para o Santander, o que afundou muitos companheiros em dívidas, e, gradativamente, torna pior o atendimento da Abeb (filas, burocracia, altos custos).

O cenário fala por si. A resposta tem que sercompanheirismo e engajamento no interesse coletivo.

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