Os trabalhadores reunidos em assembleia na sede do Sindicato, na última quinta-feira, dia 16, aprovaram a proposta de PLR para 2009. A favor, foram 280 votos, o que representa 66% dos 423 votantes; outros 143 votaram contra. A aprovação ocorre após dois meses de intensas negociações, iniciadas em maio.
Conforme acertado entre a ArcelorMittal e o Sindicato, os trabalhadores recebem uma antecipação de R$ 2.800,00, hoje, dia 21, e o restante, cujo valor e pagamento dependem da apuração de metas até dezembro deste ano, será pago em maio de 2010.
Desde a primeira proposta até a aprovada na quinta-feira, entre as quais houve um longo trajeto de resistência, paciência e persistência dos trabalhadores – considerando que o Sindicato de Monlevade foi o último do grupo a fechar acordo –, a categoria conseguiu arrancar alguns avanços, embora certas cláusulas indesejadas tenham permanecido.
A utilização de meta de fluxo de caixa como condição de pagamento ou não da PLR permaneceu, firme e dura, mas o percentual para garantir o benefício integral, caiu de 85% para 70%. Porém, se não forem atingidos 20% do fluxo de caixa planejado pela empresa, não tem PLR nenhuma.
Conseguimos retirar da metodologia de cálculo o indicador "acidente fatal", uma anomalia.
Outro ponto importante é que, ao longo da negociação, conseguimos também alterar os valores fixos da PLR. Na primeira proposta, os valores variavam de R$ 1.250,00 (para atingimento de metas de 30% a 84,9%) a R$ 4.250,00 (para atingimento igual ou maior a 120%). Na que foi aprovada, a variação é de R$ 1.850,00 (de 30% a 49,9%) a R$ 4.650,00 (igual ou maior a 120%). Bom lembrar que, mesmo o mais alto valor previsto é menor do que o que foi pago no ano passado (R$ 5.887,00).
O Sindicato sempre foi contra a proporcionalidade (parte variável da PLR com base em percentuais de salários-base), por entendermos que prejudica quem ganha menos, mas esse ponto acabou mantido na proposta. Mas avançamos e ficou garantido que será considerado um salário-base mínimo de R$ 1.800,00 para o cálculo.
Mais importante em tudo, porém, foi o recado que os trabalhadores deram, por não terem se curvado a manobras de gerentes que tentavam a aprovação a toque de caixa. Resistimos, avançamos. Agradecemos a todos que entenderam a defesa que fizemos da necessidade de negociação exaustiva, para não assinarmos um cheque em branco para precarizar a PLR ainda mais.