16/09/2009 - 13:51
Negociação, "coesão" dos patrões e ação sindical coletiva
 

Neste momento em que estamos nos mobilizando para construir um Acordo Coletivo decente e bem fundamentado, que atenda às demandas dos trabalhadores, entendemos que duas questões são fundamentais. Uma delas é a constatação, por inúmeros analistas econômicos – como se pode confirmar com uma rápida corrida de olhos por jornais, sites e blogs – de que a recuperação econômica do país já é mais do que realidade; outra, a avaliação dos indicadores de produtividade das unidades da ArcelorMittal.

 

Sobre a recuperação econômica, lembramos, por exemplo, matéria do diário britânico “Financial Times” (FT), reproduzida pela “Folha Online”, no último dia 10. O jornal afirma que o Brasil, um dos últimos países a entrar em recessão, será, “provavelmente, um dos primeiros a sair”.

 

O FT diz, ainda, que “o Brasil chega a desafiar os pessimistas que vêem o mercado de trabalho e a burocracia como inflexíveis e com potencial para prejudicar a recuperação”. 

 

Por sua vez, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, disse que a crise já ficou para trás e "os últimos dados mostram que a aceleração da economia brasileira é até mais forte do que se imaginava", conforme reportagem da BBC Brasil.

 

Quanto aos indicadores de produtividade na ArcelorMittal, destacamos que, na unidade de João Monlevade, a produção real de laminados, em toneladas, fica, em média, 4,35% acima da meta estabelecida, e o custo de produção é inferior a 9,75% do custo programado, chegando a ser o menor do país. Vale lembrar, ainda, que o Laminador 1 bateu, em agosto, recorde mensal de produção de fio-máquina, atingindo 64.719 toneladas.

 

É com base nesses cenários que nosso Sindicato construiu uma pauta em que, entre as cláusulas econômicas, um ponto a destacar é a reivindicação de correção salarial de 15,3 % (reposição de inflação de 4,82%, mais 10% de aumento real). Além disso, reivindicamos que a Participação nos Lucros e Resultados (PLR) de 2010 seja discutida e acertada entre a ArcelorMittal e o Sindicato, fruto de negociação, e não apenas imposta como foi a inclusão o artifício do “cash flow” (fluxo de caixa) este ano.

 

União

 

Fundamental também, no processo de negociações de 2009, é que todos os Sindicatos dos trabalhadores na ArcelorMittal Brasil, busquem manter estratégias unificadas. O diálogo permanente entre lideranças sindicais no questionamento da PLR 2009 demonstrou ser importante para garantir resistência e, com isso, algumas unidades conseguiram melhorar certos índices propostos pela empresa.

 

A ArcelorMittal tem trabalhado para que as discussões de acordos em cada unidade se dêem de forma isolada, mas, por outro lado, alicerçada no que ela chama de coesão, quer impor cláusulas e condições iguais para todos. Dessa forma, a coesão só funciona para um lado, o dos patrões, o dos grandes acionistas.

 

Coesos devem estar os sindicatos. Juntos e com discurso alinhado. A nossa ação coletiva é indispensável para conseguirmos atender às reais demandas dos trabalhadores.

 

 

Sindicato dos Trabalhadores Metalúrgicos de João Monlevade, 11 de setembro de 2009.

 

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