No último dia 21, o Sindicato se reuniu com a comissão de negociação da ArcelorMittal Monlevade. Esse primeiro encontro foi apenas para entrega de pauta, com esclarecimento de cláusulas. Reivindicamos 15,3% de reajuste (4,82% para reposição da inflação e 10% de ganho real), além de abono de R$ 3.000,00. Já para os trabalhadores de turnos, queremos mais outro abono, no valor de R$ 2.500,00 como compensação pela manutenção da atual escala de revezamento por dois anos. A data-base ficou garantida até 31 de outubro.
Mas a empresa já demonstrou que vai manter a costumeira estratégia: chorar.
Todos sabemos, porém, que a famosa crise não é mais aquela. E a superação do cenário adverso não está apenas na voz da equipe econômica do governo, como a do ministro da Fazenda, Guido Mantega, que afirmou à BBC Brasil, este mês, que "os últimos dados mostram que a aceleração da economia brasileira é mais forte do que se imaginava".
O jornal francês "Le Monde" chegou até a afirmar que o presidente Lula acertou ao dizer que a crise era uma "marolinha", ao contrário de empresários que se aproveitaram da situação para obter favores do poder público e demitir em massa.
Bom destacar que a ArcelorMittal já está retomando o plano de expansão da usina de João Monlevade. No mês de agosto, a produção de laminados aqui na cidade chegou a 95% da capacidade instalada.
Em Monlevade, produção real de laminados, em toneladas, supera, em média, 4,35% da meta planejada, com um custo que é 9,75% do programado. Além disso, dentro do grupo da ArcelorMittal na América Latina, nossa usina representa 30% da Ebtida (indicador de lucro líquido utilizado nas bolsas de valores) no Brasil, estando em 1º lugar entre todas as unidades. O custo dos laminados que produzimos é o menor do país, 3,3% mais baixo do que o de Juiz de Fora e 18,4% menor do que de Piracicaba. Já o tarugo produzido em Monlevade, conforme dados de abril deste ano, é o segundo mais barato do mundo.
Tudo isso significa que não pedimos demais. Pedimos o que merecemos. Só isso.
Em tempo: a próxima reunião está agendada para o dia 29.
Grupo 19 e Multiserv
No início do mês, tentamos agendar reunião com o Grupo 19, para apresentação de pauta de reivindicações. O Sime empurrou o encontro para 7 de outubro. A data-base está assegurada até 14 de outubro.
Já a Multiserv demonstrou o mais aberto desrespeito com o trabalhador. Nós a procuramos, mas, até agora, a resposta foi silêncio.
Mobilização Brasil afora
A primeira quinzena de setembro foi marcada por paralisações de metalúrgicos no ABC paulista e no sul do país. Dessa luta, alguns frutos já começam a brotar. Em Taubaté (interior de São Paulo), trabalhadores da Ford e da Volkswagen decidiram entrar em greve nesta quarta-feira, 23. No último dia 13, o sindicato da região fechou um acordo com os patrões, prevendo reajuste de 6,53% (2% de ganho real) e abono de R$ 1.500. Porém, a categoria não aceitou o acordo depois que os funcionários da GM de São José dos Campos e São Caetano de Sul obtiveram aumento 8,53 % (3,7% de ganho real) e abono de R$ 1.950,00.
O mercado de veículos foi muito beneficiado com a redução de IPI, as empresas venderam muito e os trabalhadores não podem ser deixados de lado.