19/10/2009 - 17:05
ArcelorMittal ironiza pedido de fiscalização
 

O tema do modelo perverso de terceirização mantido pela ArcelorMittal entrou na pauta da reunião de negociação do último dia 13. Representantes da empresa se referiram a fiscalizações realizadas na usina de Monlevade pela Delegacia Regional do Trabalho. Segundo eles, não foi encontrada irregularidade alguma.

No entanto, o relátório dos auditores fiscais da DRT que chegou às mãos do Sindicato lista uma série de irregularidades no que se refere a saúde e segurança no trabalho e que resultaram em autuações à empresa. Há problemas com horário de médico do trabalho, com frequencia de exame de audiometria, na análise ergonômica (relativa a aspectos físicos do ambiente de trabalho que têm impacto na saúde do trabalhador) e funcionários em atividades em espaços confinados sem o devido treinamento técnico.

Uma questão que também levamos à DRT já discutimos várias vezes: há empresas que são claramente do setor siderúrgico/metalúrgico, mas fazem manobra com a razão social para parecerem ser de outro setor. A intenção é conseguir manter salários mais baixos e outras condições ruins de trabalho. Inadmissível que a ArcelorMittal seja conivente com essa situação, que prejudica a concorrência e o trabalhador. A ArcelorMittal argumenta que não pode intervir na questão, na categoria de sindicato a que os funcionários da empresa estão vinculados. Ora, na realidade, a questão é de moralidade. Trabalhadores são desrespeitados, sua saúde se degrada, sua renda míngua progressivamente. Uma empresa que tanto dá valor às famosas ISOs não pode ser conivente com esse quadro de canibalismo. A não ser que acredite que capitalismo e canibalismo são mesmo uma palavra só. Não podem ser não.

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