Na reunião de negociação realizada na última segunda-feira, 19, em Belo Horizonte, os representantes da ArcelorMittal apresentaram a proposta de reajuste: só 4,45%, para repor a inflação (pelo INPC). E propuseram também salário de ingresso de R$ 920,00. Mais nada. Disseram que o desempenho da unidade de Monlevade este ano ficou abaixo do esperado. E que o custo de produção está alto por aqui e as perspectivas para 2010 não são boas.
Os argumentos da empresa são distorção. A questão do custo é a seguinte: há tempos a empresa decidiu usar, aqui em Monlevade, o coque em lugar do cartão vegetal – o que não aconteceu, por exemplo, em Juiz de Fora – porque o custo era mais baixo. Estratégia errada; o preço do coque subiu bastante, invertendo o cenário. Por isso, enquanto, em Juiz de Fora, são gastos R$ 392,18 com a tonelada do carvão, em Monlevade gastam-se, com o coque, R$ 716,97. Então, o problema não é o trabalhador, mas o coque.
É preciso considerar, ainda, que a qualidade e a diversidade do aço em João Monlevade implica em custos significativos, mas, apesar disso, o custo total de produção em nossa unidade é menor do que o de Juiz de Fora e Piracicaba.
Outra questão importante é da produtividade e lucratividade em Monlevade. Este ano, conforme dados da própria empresa, só em abril houve desempenho ruim e, ainda assim, por causa de uma parada de 20 dias para troca de motor, na sinterização. No mais, em janeiro, a produção na usina de Monlevade contribuiu com 19,9% da Ebtida (lucro operacional) das unidades de aços longos da ArcelorMittal e, em setembro, essa participação chegou a 44,5%. Traduzindo em dinheiro, foram R$ 87,59 milhões em janeiro e R$ 262,05 milhões em setembro.
Mas, na hora de encarar a realidade da negociação, a empresa prefere a estratégia do avestruz e esconde a cabeça na areia. Durante a reunião, mostraram gráficos comparando a unidade de Monlevade com outras duas, não identificadas, para dizer que as coisas não andam bem por aqui. Não é verdade.
Com essa conversa, só mobilização pode fazer as coisas caminharem para melhor.
Na próxima segunda-feira, 26, às 15 horas, haverá nova reunião, desta vez em Monlevade.