A Belgo-Mineira mantinha uma política perversa que a ArcelorMittal manteve. Estamos falando das pressões para que trabalhadores que são promovidos a supervisores se desliguem do Sindicato e não participem de mobilizações, por terem "cargo de confiança". É um engodo. Nem todo cargo de supervisão ou chefia é "cargo de confiança". Conforme destaca a advogada Amanda Vilarino Espindola, em artigo publicado no jornal "Estado de Minas", a Consolidação das Leis do Trabalho, no artigo 62, dá exemplos de quem pode ser definido, com exatidão, como detentor de "cargo de confiança".
Lembra a advogada que só tem cargo de confiança aquele empregado que "tem autonomia, poder de ingerência administrativa", ou, falando em outros termos, poder decisório. Por isso mesmo, a empresa cobra dele um grau maior de fidelidade.
Nem todo gerente, por exemplo, tem poder decisório. Amanda destaca também que detentores de cargo de confiança deverão receber, no mínimo, 40% a mais que os subordinados. Mas importante: como já ficou, claro, também não basta só ganhar mais.
Portanto, supervisores que precisam ficar dizendo SIM aos chefões não têm cargo de confiança nenhum. Por que, então, ter que dizer NÃO à sindicalização?