Em assembleia na última sexta-feira, 11, os trabalhadores do Grupo 19, prestadoras de serviço à ArcelorMittal Monlevade, que atuam fora da usina, decidiram deflagrar greve a partir da terça-feira, 15, em razão da intransigência dos patrões na negociação do Acordo Coletivo deste ano. O ponto de divergência é a PLR, já que há concordância em torno do percentual de reajuste salarial, de 6,54%.
Já na segunda-feira, a diretoria da Contécnica reuniu trabalhadores nas dependências da empresa até as 22h e alguns até dormiram no local, além de seu horário de trabalho. Entre 4h e 5h da terça-feira, vans foram recolher funcionários nas suas casas, para forçá-los ao trabalho no turno das 7h. Além disso, a Contécnica deu início ao um processo de rodízio de turmas, com pequenos intervalos de tempo entre os horários, para dificultar a paralisação.
Na manhã de terça, o Sindicato fez mobilização junto aos trabalhadores da Corchapas, Enjatec e Fabiana Indústrias, que funcionam em um mesmo galpão. Por volta das 6h40, seis viaturas policiais chegaram ao local, a chamado dos empresários. Houve, ainda, pressão dos patrões sobre os trabalhadores, inclusive com agressões verbais e intimidação pela presença de chefes junto aos funcionários.
Em razão dos atritos, o Sindicato dos Metalúrgicos e o Sime (sindicato patronal do Grupo 19) se reuniram às 9h30 da terça, para reabertura de negociação. Mas não aconteceu qualquer avanço. Por isso, o movimento continua e, nesta quarta, 100% dos trabalhadores de mais uma empresa, a Júpiter, paralisaram suas atividades. Caso permaneça o impasse, outras empresas também darão início à paralisação, progressivamente.
As propostas
Na última reunião de negociação, na terça-feira, 15, o patronato propôs pagar R$ 400,00 de PLR, em única parcela, no dia 22 de dezembro, para trabalhadores das indústrias. Para as empresas de eletromotores, a proposta apresentada foi de R$ 141,00, também em única parcela, em dezembro. Já para serralherias e similares, R$ 100,00, em dezembro, e mais duas parcelas de R$ 25,00, sendo a primeira em março e a última em maio do próximo ano.
O Sindicato dos Metalúrgicos reivindica, para as indústrias, R$ 1.120,00; para eletromotores, R$ 324,00 e, para serralherias e similares, R$ 270,40. Todos os valores em uma única parcela, a ser paga agora em dezembro.