Neste ano em que uma crise abalou a economia mundial, já se esperava uma negociação salarial difícil. O Brasil reagiu de forma bastante eficaz aos problemas da economia, mas as empresas, claro, continuam chorando o leite derramado e, no caso de transnacionais, como a ArcelorMittal, usaram o cenário dos Estados Unidos e da Europa - onde a recuperação não teve o mesmo fôlego que em nosso país - para evitar ganhos aos trabalhadores. Quanto aos bônus de acionistas, bem, todo mundo sabe.
Mas vamos ao coração do assunto: o acordo deste ano. O reajuste de 6,54%, com ganho de 2% acima da inflação, é dos melhores do Estado de Minas. E só foi possível porque os trabalhadores se mobilizaram, entraram em estado de greve, enfim, não aceitaram as artimanhas das empresas, que não queriam dar ganho real nenhum. Além disso, é importante listar algumas conquistas que conseguimos garantir na ArcelorMittal:
- Inclusão de cláusula relativa à PLR no Acordo Coletivo, o que garante a discussão da Participação nos Lucros e Resultados, facilitando a obtenção de valores mais dignos;
- Abono de R$ 300,00 para todos os trabalhadores da ArcelorMittal. Para os companheiros do sistema de turnos de revezamento, conseguimos outros R$ 300,00. É só uma compensação, claro, porque dinheiro nenhum compra o que temos de mais valioso, que é a vida, a saúde, a família e os amigos.
- Enquadramento dos novatos. A empresa se comprometeu a promover o enquadramento salarial de todos os novatos e, por força de nossa mobilização, isso já vem acontecendo ao longo do ano, garantindo correções salariais que variam de 12 a 20%. Antes, companheiros ficavam até quatro anos sendo vítimas da injustiça.
- Manutenção da tabela de revezamento até 30 de setembro de 2011 - perdemos muito quando a tabela francesa foi extinta, mas, ainda assim, temos, hoje, uma tabela de revezamento menos nociva do que várias que a ArcelorMittal implantou em suas unidades no Brasil. São 36,7 horas semanais, enquanto, em outras unidades, a jornada chega, às vezes, até a 48 horas;
- Mudança na redação da cláusula do turno ininterrupto de revezamento. Isso garante que trabalhadores de turno, quando passarem para o horário diurno e retornarem ao sistema de turno, não percam o adicional de 9,5% sobre o salário-base;
- Reajuste do salário de ingresso de R$ 880,00 para R$ 1.100,00. A variação foi de R$ 25%.