Mais de 2,5 milhões de pessoas no mercado de trabalho. Esse seria o resultado da redução da jornada de trabalho de 44 para 40 horas semanais, segundo estudo do Dieese (Departamento Intersindical de Estudos Socioeconômicos).
A PEC (Proposta de Emenda à Constituição) 231/1995, que propõe a redução, está tramitando no Congresso Nacional, mas tem enfrentado resistências de certos setores do empresariado, que alegam que reduzir jornada comprometeria a produtividade. Porém, não foi o que aconteceu em outros momentos da história em que o número de horas de trabalho foi reduzido, porque, além do avanço tecnológico, o preço da mão de obra no Brasil é baixíssimo.
Mas, apesar da choradeira de certos empresários, alguns sindicatos já têm conseguido negociar com empresas a redução da jornada. De acordo com o professor José Pastore, da Faculdade de Economia e Administração da Universidade de São Paulo (FEA-USP), em seis anos o número de trabalhadores com jornada de até 40 horas subiu de 28,6% para 31,97%.
Ainda este ano, o Sindicato dos Metalúrgicos de São Paulo, Mogi das Cruzes e Região conseguiu fechou acordo com 22 empresas, beneficiando mais de 5,5 mil trabalhadores com a implantação de jornada menor, conforme reportagem do jornal "O Estado de São Paulo". Conquista equivalente aconteceu com o Sindicato dos Trabalhadores em Processamento de Dados do Estado de São Paulo que, no mês passado, fechou acordo de redução da jornada, contemplando cerca de 80 mil profissionais. É também esse o número de químicos beneficiados com a alteração, desde setembro de 2009.
Reduzir a jornada é aumentar o Brasil. Quando um trabalhador trabalha mais, outro nem trabalha: fica do fora do mercado de trabalho. De acordo com o Dieese, cada duas horas extras de trabalho diário cortam 1 milhão de postos de trabalho no país.