05/05/2010 - 09:26
Gerente fala em "agradecer a Mittal por duplicação", mas, sem investimento em Monlevade, grupo ficaria no vermelho
 

Em reunião na terça-feira, 4, entre a ArcelorMittal Monlevade (representada pelo gerente geral, Wagner Barbosa, e o gerente de Recursos Humanos, Carlos Nepomuceno) e o Sindicato, foi oficializada a duplicação da usina de João Monlevade, com construção de nova sinterização de 2,3 milhões de toneladas, altoforno de 1,1 milhão de toneladas, segunda aciaria na mesma capacidade e laminador de 1 milhão de toneladas. Custo: US$1,2 bilhão. Prazo de construção: 2 anos. Próximas etapas: licitação das empresas que vão realizar as obras; já em junho, complementação das obras de construção civil; em agosto, início da montagem da usina. A previsão é que cerca de 7 mil trabalhadores estarão engajados no processo de ampliação, nesses dois anos de construção.

O gerente geral enfatizou os esforços que ele desempenhou para concretizar esta duplicação e agradeceu "muito ao sr. Lashimi Mittal, que consentiu em pagar a nota [da duplicação]". Porém, acrescentou que João Monlevade foi escolhida para este investimento também em reconhecimento da qualidade da mão de obra local.

QUALIDADE E NÚMEROS

Precisamos corrigir um pouco as afirmações de Wagner Barbosa. Desde muitos anos (desde os tempos da Belgo-Mineira), o operariado de João Monlevade é tido como um dos melhores do setor siderúrgico: precisamos lembrar que foi daqui que saíram os trabalhadores que construíram a CSN (Volta Redonda) e, mais tarde, a Usiminas, Acesita e, mais recentemente, a Açominas e Sinobrás (esta em Marabá, no Pará).

Devemos também acrescentar que a usina de João Monlevade produz o fio-máquina da melhor qualidade do mercado – no período de crise, a unidade de Monlevade continuou a exportar 37% de sua produção nos mercados americanos, europeus e asiáticos – e a um preço inferior a todos os concorrentes, tanto dentro do grupo ArcelorMittal Brasil, quanto fora.

É bom lembrar que, dentro do grupo ArcelorMittal, o Brasil é o único país que deu lucro substancial ao grupo em 2009. Vejamos o balancete do ano passado:

Receitas totais: U$S 65,100 bilhões;

Receitas no Brasil: US$ 11,284 bilhões (17% do total);

Expedição de aço no mundo: US$ 71,1 milhões de toneladas;

Expedição de aço no Brasil: US$: 9,4 milhões de toneladas (13% do total);

Lucro líquido global: US$ 118 milhões;

Lucro líquido no Brasil: US$ 1,566 bilhão.

Sem o Brasil, a ArcelorMittal teria um prejuízo muito maior.

É, pois, de interesse do grupo investir muito mais no Brasil, para se salvar da bancarrota.

Outros números para restabelecer a verdade: a ArcelorMittal vai investir US$ 5 bilhões em 5 anos, ou seja, US$ 1 bilhão ao ano.

O lucro líquido em 2009 (ano ruim) foi de US$ 1,565 bilhão; o lucro líquido após o investimento, em um ano seria, portanto, de R$ 565 milhões. Então, se vê que, mesmo com os investimentos, o Brasil ajuda a ArcelorMittal a sobreviver.

 

 

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