01/06/2010 - 16:37
Acidentes não preocupam acionistas, diz coordenador de processos
 

Um coordenador de processos do TL1 disse ao seu pessoal que mortes por acidente de trabalho não preocupam os acionistas da ArcelorMittal. Ele quis dizer, portanto, que o que importam são os resultados. Só que mortes também são resultados... péssimos.

A postura desse coordenador traduz a forma como a empresa tem lidado, no dia a dia, com a questão da segurança e saúde no trabalho. O resultado pode ser visto em relatório da Gerência de Área de Segurança e Saúde, onde é dito que, no período de 2000 a 2008, somente não houve acidentes fatais em 2006 e no ano passado. Mas, no gráfico de ocorrências, a quantidade de casos não reflete a realidade, porque não contabiliza dois acidentes fatais ocorridos em 2008.

No relatório, a empresa diz que a maioria dos acidentes ocorre no último trimestre do ano e aponta como principais fatores causadores do problema "novos planos e expectativas, preparativos de festas e comemorações, uso de álcool em excesso, viagens, deferência na gestão do orçamento familiar, período chuvoso". Nada no relatório aborda as práticas gerenciais que têm contribuído para a ocorrência de acidentes, como sobrecarga de trabalho, polivalência (quando o trabalhador é obrigado a desempenhar diversas funções, muitas vezes sem a necessária capacitação), desempenho de atividade solitariamente em locais confinados. Em razão desse tipo de gerenciamento, por sinal, já ocorreu um acidente fatal em 2010.

Tem sido comum, inclusive, o trabalhador ser forçado a deixar de lado o intervalo de repouso e refeição em nome da produtividade. Só que análise do Ministério do Trabalho revela que, sem esse repouso, os trabalhadores ficam mais propensos a se acidentar.

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