Um coordenador de processos do TL1 disse ao seu pessoal que mortes por acidente de trabalho não preocupam os acionistas da ArcelorMittal. Ele quis dizer, portanto, que o que importam são os resultados. Só que mortes também são resultados... péssimos.
A postura desse coordenador traduz a forma como a empresa tem lidado, no dia a dia, com a questão da segurança e saúde no trabalho. O resultado pode ser visto em relatório da Gerência de Área de Segurança e Saúde, onde é dito que, no período de 2000 a 2008, somente não houve acidentes fatais em 2006 e no ano passado. Mas, no gráfico de ocorrências, a quantidade de casos não reflete a realidade, porque não contabiliza dois acidentes fatais ocorridos em 2008.
No relatório, a empresa diz que a maioria dos acidentes ocorre no último trimestre do ano e aponta como principais fatores causadores do problema "novos planos e expectativas, preparativos de festas e comemorações, uso de álcool em excesso, viagens, deferência na gestão do orçamento familiar, período chuvoso". Nada no relatório aborda as práticas gerenciais que têm contribuído para a ocorrência de acidentes, como sobrecarga de trabalho, polivalência (quando o trabalhador é obrigado a desempenhar diversas funções, muitas vezes sem a necessária capacitação), desempenho de atividade solitariamente em locais confinados. Em razão desse tipo de gerenciamento, por sinal, já ocorreu um acidente fatal em 2010.
Tem sido comum, inclusive, o trabalhador ser forçado a deixar de lado o intervalo de repouso e refeição em nome da produtividade. Só que análise do Ministério do Trabalho revela que, sem esse repouso, os trabalhadores ficam mais propensos a se acidentar.