Comenta-se que alguns companheiros não estão "nem aí" para a discussão sobre a insistência da ArcelorMittal em utilizar o OFCF (sigla em inglês para Fluxo de Caixa Operacional) no cálculo da PLR. Quem realmente pensa assim está completamente enganado. O Fluxo de Caixa, como a própria ArcelorMittal demonstra em documento explicativo da proposta de PLR 2010, é o que sobra depois de descontados da receita da empresa os custos (incluindo-se aí os salários), o capital de giro e os investimentos. Quer dizer: se os salários forem reajustados ou houver mais investimentos, o OFCF cai. E, se cair, já sabem: joga a PLR para baixo ou, pior ainda, por água abaixo. Já dissemos em edição anterior do Zé Marreta que, no México, não houve pagamento de PLR no ano passado porque o Fluxo de Caixa não chegou aos patamares previstos pela empresa.
O OFCF envolve fatores que estão fora do controle dos trabalhadores. E o desempenho desse indicador não tem sido nada animador. No primeiro semestre deste ano, no Brasil, ficou U$S 107 milhões abaixo do valor orçado, que era de US$ 548 milhões. Se esse comportamento for mantido, nossa Participação nos Resultados fica comprometida.
Por isso, se lutamos para que o OFCF não seja mais utilizado no cálculo da PLR, é porque esta é uma questão fundamental: a alta gerência pode tomar decisões que provocam a queda do Fluxo de Caixa e, aí, nosso direito fica longe de nossas mãos.